terça-feira, 2 de junho de 2015

Nem toda verdade é casta, nem toda distância é vasta e dois corpos não cabem em um. Mas a gente insiste. E quando estamos juntos não é a pele que nos separa, não me basta a sua boca. E tudo é bom e pouco, principalmente o tempo, que sublima e nos deixa nus. Tão rápido quanto as roupas vão-se os medos, vergonhas e receios... As frescuras, as inseguranças e o resto do mundo... Tudo se desintegra e sobra você, olhando pra mim, com um brilho indizível nos olhos, e a gente se conversa sem falar e se toca de um jeito que não é só pele, que não tem como explicar. Longe de você não há portos onde meu mar se acalme e eu me arrepio de calor quando penso em você. E é como se as músicas corressem nas minhas veias, falando por mim... alisando meu corpo como um carinho seu. Faz falta. Tudo seu faz falta. E não dá pra saber de onde vem. E isso não importa. E embora quase tudo fosse pra ser "não", ninguém explica isso pro coração. A vida não é linear. O coração não é linear. E eu que sempre me achei racional, lógico e quase frio. Que tanto ouvi que nunca ia casar... Me vejo contigo de repente, pra sempre. Mesmo que um eco me diga que é um amor irresponsável, como a beleza da flor de uma noite, eu ignoro. Mesmo que não haja razão, eu ignoro. Porque vem de dentro, do estômago, da alma, de além... E essa coisa borbulha de um jeito bom e me faz sentir tão vivo quanto nunca, faz sentir que vale viver... E cada abraço seu é que nem descobrir o mundo de novo... mesmo com todas as complicações... mesmo que exija de mim o que eu menos posso ter: paciência. E é tão forte que eu espero. Eu que nunca quis ter âncoras, que nunca quis ficar. Mas eu espero.

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