doido?
Não, não...
Creio que a Senhorita está ligeiramente enganada.
Poderia, sim, dizer que sou "livre", "estranho", "humano demais", mas doido?
ah não, doido não...
Sou só a expressão dos fatos do meu mundo interno, cheio de sanidades absurdas, de pecados extremamente perdoáveis, dos ventos livres, enfim, duma parafernália poética explícita sem travas e sem carteira de identidade.
Eu sou o que as mãos que me digitam querem ser de fato, despidas dos escudos que o cotidiano rigoroso as faz vestir.
Uma plástica na alma que revele o não ser de alguém, que decifre os labirintos de cada espelho, que relate em espasmos o que jamais alguém desenharia em letras. Um tempo, uma lenda, o sobressalto de um vilão recém revelado, da quebra do anonimato, do jogo de passos dados na dança perfeita, do restrospecto de uma ou duas palavras impróprias e jogadas. Eis que o jogo está na mesa. E não é mais pegar ou largar, é mais, é conhecer o corpo além do tato, além do olho. É olhar pra dentro e pisar onde não se enxerga, mas pisar firme, confiante. É fazer o degrau estar lá, ao invés de temer que ele não esteja.