não digo que estou voltando às letras.
mas elas são uns demônios e me tentam muito.
Essa coisa da boca não conseguir falar o que eu sinto.
As letras tampouco, mas um pouco mais.
É como se as palavras fossem como uns mosquitos impegáveis, zombando da minha lentidão. Faz um tempo que decolaram da ponta da minha caneta pra fazer essa algazarra.
E não escrevo mais nem o amor nem a dor. Até porque isso tudo me parece brega, por hora.
Meus amigos distantes.
Minha família distante.
Minha concentração obstante.
Cansa.
Cansa pra chuchu.
E minha mesa parece uma tormenta de papéis, meus controles uma desordem, o tempo um escárnio de mal gosto.
Sorte que tenho um amigo Rei que me salva e uma paixão por qualquer moça que bate como um relógio meio descompassado, que não sabe a hora de fazer clic. Mas quando faz, ah faz... E isso dura o quanto dura uma ilusão pra logo depois cair no silêncio do entresegundos, precedendo um outro clic, sempre imprevisível, meio como estrela cadente: aparece em qualquer lugar, ilumina, arranca suspiro/sorriso/desejo e se apaga.
E até tem uma estrela que fica sempre lá, mas essa aí eu é quem faço força pra apagar. E diria "maldita seja", não me pesasse a conciência por pensar que isso pode lhe trazer algum mal. Um doce, tal estrelinha.
Vamos por aí, vento solar sem estrela do mar, vestido sem cor do céu, cabelo sem girassol.
Tentei sentir o vento de maio, mas maio passou.
Tomara que o próximo trem passe antes do ano que vem, pq Jaçanã é longe e onze horas é tarde demais.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
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