quinta-feira, 30 de abril de 2009

Calça jeans e chinelo, sem camiseta. A janela aberta, todas as janelas abertas. O vento alisa os cabelos do peito como uma amante carinhosa de uma noite só. Todos os sorrisos são vastos e desperdiçados ao gosto de vinho tinto. Há ainda aquela preguicinha na ponta dos dedos dos pés; nenhum dos dois quis levantar, mas ela insistiu e ele foi, dar aquela volta preguiçosa pela casa quente e buscar um copo d`água gelada. E ele volta com a água cheia de gelos maliciosos, na outra mão mais uma garrafa do Rosemount Estate Australia Shiraz 2006, perfeito. O sorriso vem de lado, no olhar malicioso e sacana, as peles não se saciam, jamais se saciam. E o seu contato oscila entre o torpor dos dentes fortes e carícias leves, provocantes. Depois de todo gozo uma calmaria, o cheiro dos corpos, mais e mais sorrisos. Os dedos dele enraizam a cabeça dela e o cafuné a amolece. Há tempo, e nada mais importa. É chegada a tal hora que tanto se quis, é sabido que muito mais horas dessas virão. E tudo é tão simples e leve que parece sonho. E é mesmo o sonho bom de se ter as pernas entrelaçadas, a sintonia calada, a leveza, a despreocupação. No banho, pela manhã, ele alisará as costas dela, vai esfregar com bucha e sabão, de levinho, como um carinho especial só dos dois, uma lembrança distinta. Ela, de perfil, vai se virando pra balbuciar qualquer coisa, vontade logo substituída por um sorriso imenso de olhos fechados. As gotas do chuveiro fazem um burburinho bom no chão do box. Eles se gostam, e é sempre simples assim, e é assim que é sempre bom.

sábado, 25 de abril de 2009

Engole a seco a conclusão tão mastigada;É, é melhor não.Tão difícil pra quem tanto insiste por tudo o que te fato deseja,Dá o traço de cada plano como uma poesia de conexões impossíveis,Quase esquece o tom do concerto e enseja um certo objetivismo em seus objetos convexos de pontas imaginárias.Boceja longamente.Alguma coisa falta.Mas nem importa tanto assim também.Um suspiro forte, uma cesta cheia de sorrisos, amigos, um MofCa e uma boa talagada de razão, volta tudo ao lugar.Os traços o desconstroem por dentro e se resolvem em palavras na ponta dos seus dedos.Dorme, logo esquece.Que venham os risos gratuitos e sinceros, ainda se há de achá-los nos campos, tais quais os trevos de quatro folhas.Não é que eles dêem sorte, é que você se sente sortudo de achá-los, raros, num dia comum de acordar, respirar e dormir. Mas logo depois eles murcham, ingratos. Melhor mesmo é deixá-los por lá, pra fazer mais alguém se sentir sortudo por nem que seja um pequeno instante.
Nada novo hoje, só mais um dia de pastilha de poesia efervescente pra azia.Um oi simpático te cativa, uma troca de olhar te desvia, mas não importa, basta um passo maior e lá está você de volta, no seu caminho, como se orgulhariam teus pais.
Vida morna, hei de arrumar-te emoção.Sobre a cama o capacete e a jaqueta.A noite de sexta-feira mal começa, mas promete, e vai, render.Fecho o computador com um sorriso gozador.Esta noite ganhei de você.