terça-feira, 6 de agosto de 2013
...
Talvez seja porque você é PSDB. Ou talvez porque tenha virado evangélico, como uma doença zumbi que corrói o cérebro e faz as pessoas estúpidas o suficiente pra acreditar que um palhaço vestido de terno vai amenizar as nojeiras que você fez como humano no passado, ainda que cobre 10% do que você ganha pra isso. Enfim... Talvez não tenha nada a ver com essa igreja porca, nem com nenhuma outra igreja, todas porcas. Talvez seja porque você sempre foi PSDB... Ou porque ostentou em si sempre essa coisa torta, os valores todos em uma fotografia que nunca mostrou o mais bonito que tinha pra mostrar. E daí, 30 anos depois, ainda me silencia, ainda me cala, reflexo da sua incapacidade de falar o que sente de demonstrar um amor pela forma mais simples, pela razão mais pura. Pela vez em que você não foi me ver jogar bola, não foi ver como eu sabia fazer gols com a bola curva... Por não ver que eu dava raça. Talvez seja por não ter estado lá. Acho que me acostumei tanto com a falta que a presença agora incomoda, dá repulsa. E eu, tão emaranhado em tantas palavras, me calo, sufocado.
E é demasiado estranho pra alguém que em geral se tolhe por falar demais, sentir que não consegue falar.
Sim, voltei praí por um final de semana e nem te liguei pra avisar que fui. E quando você ligou pra perguntar o porquê, não consegui dizer o óbvio: eu não tive vontade. E saber dessa não vontade meio que dói, porque reafirma tudo o que incomoda, refaz na minha falta de ar a falta do pai. E eu sinto falta de ter tido alguém pra me guiar... E eu meio que sofro por tentar resolver tudo sozinho demais às vezes, porque foi assim que teve que ser. Parece que me acostumei sozinho. E quando você percebe que não tem ninguém com quem contar, piora tudo, porque aí sim é que não vai ter mais ninguém. A porta já está trancada demais pra que qualquer palavra consiga escapar.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Nado mais de 2.000 metros. Meu ego infla, meu ombro dói.
O corpo já apresenda uns sinais de falha, mas eu insisto.
E com quase 30 nas costas eu ainda busco um propósito pra essa vida incongruente. rio sarcasticamente de quem me responde "Deus". Tenho preguiça de quem me dá atenção, tenho preguiça de mim e me sinto só.
Nunca achei alguém em quem me espelhar completamente, porque talvez esse alguém não exista mesmo... nem pra mim, nem pra ninguém. Tenho uma dificuldade enorme em entender se os meus labirintos são só meus, ou se é só uma frescura exagerada minha pra uma dificuldade que todo mundo tem.
Tenho visto o tempo passar, o caminho se fechar. Me sufoco, sinto falta de viajar, de não ter responsabilidade, de colocar uma mochila nas costas e sumir pra descobrir novos ventres, novos colos, novos ares. A parte mais frágil de mim continua intacta e as certezas se desfazem. E isso incomoda terrivelmente...
Assinar:
Postagens (Atom)
