Ácido.
E por vezes indigesto também.
Eu sou um ser humano ordinário. Um pacote de carne, água, sonhos, crenças, algumas qualidades, vários defeitos e vazios. Por vezes até um idiota, mas um idiota que tenta melhorar sempre que enxerga seus erros.
Eu?
Eu exponho meu modo, me mostro. Eu gosto de opostos. Amo mais quem me olha torto do que quem me sorri sorrisos cretinos. Estou de passagem, num olhar, num flerte, te conquisto e te descarto, meu papel é curto. Não tenho tempo, ele foge de mim como os pombos das praças fogem das crianças.
Louco.
Louco e livre.
Tal qual o vento.
Irremediavelmente perdido entre os parâmetros do bom senso que regem a ditadura da rotina e da hipocrisia cotidiana.
Irremediavelmente preso à ânsia pela liberdade. Falso humano, pelo menos no quesito humano de sempre buscar ser uma divindade. Resolvi investir o tempo que seria gasto ao tentar descobrir os mistérios da origem e do fim da vida no simples fato de tentar tornar a própria vida melhor.
Um apaixonado pela vida, pelas bocas, sorrisos, olhares, situações, pelo comportamento das pessoas, pela variedade, pelas novidades, por tudo que inova, renova, relembra.
Apaixonado pelo ato de engenhar, busco melhorar tudo por caminhos diversos, ainda que às vezes tropece e acabe, besta e estupefato, rindo descontroladamente do próprio tropeço. Sou otimista até o limite entre o otimismo e a estupidez, sou sincero até o tênue limite entre a sinceridade e a falta de bons modos. Sou hipócrita, como todos, imperfeito e por vezes mesquinho, como dizia um tal poema em linha reta.
Mas e daí?
Tudo oscila entre a necessidade do sentimento de pertencimento ao grupo e do sentimento de destaque. Em outras palavras: no fundo, todo mundo é diferente e é normal.
Todo mundo gosta mesmo é do comodismo corrosivo, dos colos quentes, das coxas grossas, da carne exposta. Todo mundo gosta mesmo do que se rasga, de ver os outros arriscarem, enquanto eles mesmos apenas mordem suas pipocas crocantes e barulhentas. E o que mais estimula a todos, é achar que "todos" são apenas os outros; que eles mesmos, com seus pezinhos de ouro, estão mais limpos e cheirosos em seu pedestal.
Estou devendo cartas, várias cartas.
Leiam tudo como quiserem. Cada leitura é projeção da mente que lê, talvez mais até do que da que escreve.
"...mas as pessoas da sala de jantar, mas as pessoas da sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer..."
Se for amar, mesmo que não seja pra sempre, sinta como se fosse, porque senão não vale a pena.
Se for viver, fuja de uma vida medíocre, prefira o risco da morte ao risco de uma vida inteira morta.
E você, não importa quem seja, apenas seja quem realmente é.