quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa):

Sobre a Vírgula...

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Que sua vida tenha uma boa trilha sonora. Que você siga o caminho que escolher e que jamais se arrependa. Mas, se acontecer, que seja de forma madura. Que você enxergue que na época da escolha errada, tua realidade era outra, como era outra tua visão do mundo, e era nulo o teu conhecimento do futuro. Ainda assim, que tuas escolhas sejam sempre por passos na direção do teu sonho, ainda que não sejam em linha reta, e que este seja um desvio que te permita alcançar o sonho de qualquer forma. Que você saiba que nunca é tarde para mudar. Que cada letra lida seja um passo dado, que cada pessoa que cruze seu caminho lhe seja um professor, ainda que de coisas ínfimas, pois tem mesmo muito conhecimento importante da vida espalhado de formas inusitadas, em pessoas que a gente certamente duvida ou despreza.

Vale dar passos errados, pra dar valor aos passos certos. Vale se queimar uma vez, pra aprender que não se deve tocar o que é quente, ou mesmo ficar demais ao sol, embora o sol seja bom nos dias frios, especialmente quando não há ninguém para nos abraçar. Certamente na vida haverá vários dias em que não vai haver abraços. Mas não importa. Que os melhores abraços da vida estejam sempre na memória, para serem consultados sempre que a solidão bater. Que o café das noites longas seja forte o suficiente pra fazer o corpo agüentar a jornada que lhe judia, injusta. Sejam os óculos e as pálpebras leves, pra permitir com leveza que a sabedoria chegue. Que não se sofra demais para aprender aquilo que só se aprende sofrendo, nas infelizes lições que às vezes se tem que tomar... Que você saiba valorizar aqueles que a valorizam, sem destratá-los ou abusar de sua boa vontade. Que sejam legíveis os tormentos internos, aqueles de que não se pode fugir, pois só assim será possível entende-los e dissolve-los como coisas do passado. Que você não desista do que acredita, a não ser que você perceba que tem um jeito ainda melhor... Que você note sempre a beleza exuberante das coisas simples e cotidianas. Que um sorriso valha mais do que qualquer coisa e que sejam sorrisos deveras sinceros, sempre. Que as brigas sirvam apenas para ajustes, mas que não deixem, jamais, feridas que não cicatrizem. Que todos os anos que estão por vir sejam rudes e confortáveis na medida exata. Que os sonhos da infância permaneçam. Que não te esqueças de permitir a si mesma ser uma eterna criança, ainda que muitas vezes os amargos te rechacem por tanto. Que você não se permita tornar uma pessoa amarga pelas dificuldades da vida, que continue sempre doce. Que o colchão e o travesseiro proporcionem o encaixe perfeito e um sono de pedra, porque ninguém é de ferro. Que, nas noites de insônia, a geladeira tenha sempre uma guloseima e a TV tenha sempre um filme bom. Que o cobertor de orelha seja amável e que, de preferência, não ronque. Mas que se roncar, você tenha a paciência de colocá-lo em outra posição. Que você ganhe flores e cartas em dias inusitados. Que tenha alguém que sorria com os olhos sempre que te veja. Que as estrelas sempre permaneçam. Que você tenha muita paciência com as imperfeições das coisas, das outras pessoas e com as suas próprias. Que haja muitas pessoas especiais na sua vida. Que pelo menos vez ou outra você sinta o cheiro de mato e de terra molhada, o barulhinho da chuva e o vento da liberdade no rosto. Que, quando houver paixão, ela seja quente, viva. Que o amor seja sempre sereno e aconchegante. Que haja muita paixão e muito amor, sempre juntos. Que você possa viajar, não só para ver coisas novas, mas para poder mudar e rejuvenescer a forma como vê as coisas que já conhece. Que o teu ninho seja sempre um ninho presente, ainda que às vezes esteja bem longe de você. Que as flores sejam belas e naturais, que os pássaros da tua vida sejam sempre livres. Que você possa subir uma montanha e banhar-se em cachoeiras às vezes, pra recarregar tuas baterias. Que saiba a hora de parar e a hora de investir. Que não troque por dinheiro a felicidade, a saúde ou o amor. Que sempre fique tentando achar com o que as nuvens se parecem. Que saiba a receita exata ao pensar em passado, presente e futuro, pra não perder nenhum por pensar demais nos outros. Que o medo não te impeça de viver. Que tua vida não seja uma vida morna. Que você passe muito tempo da vida nua e que goste do seu corpo, esteja ele como estiver. Que alguém te lembre sempre o quão linda você é, especialmente pela pessoa que é. Que você tenha sempre força pra começar tudo de novo. Que você seja sempre crítica, inteligente e criativa, mas que saiba inovar com zelo, para não desmerecer ninguém. Que as bênçãos divinas venham à tua vida, não porque você lê um livro que assim o diga, mas sim porque você seja uma pessoa de bem, que faz bem aos outros, ao mundo e a si mesma. Que você saiba ouvir seu coração, pois normalmente todas as respostas já lá estão. Que tenha amigos de verdade, que estejam do seu lado por motivo algum senão a própria amizade. Que vocês compartilhem muitos sorrisos, mas que estejam presentes quando as lágrimas quiserem brotar. Que você chore, grite e xingue, que diga que ama, que odeia, que beije, que abrace. Que viva momentos loucos, que disperse os sentimentos ruins e guarde apenas os bons. Que vez ou outra fique embriagada com um bom vinho, para sentir-se bem leve, com os lábios e a pontinha do nariz dormentes. Que quando for beber um vinho, seja sempre pra comemorar, que saiba que beber para aliviar a tristeza é uma cretinice. Que tenha calma para fazer as melhores escolhas. Que haja muitas oportunidades e, não havendo, que você saiba criá-las. Que não se abale facilmente, mas que quando se abalar, se recupere rápido. Que viva com brilho nos olhos, sempre. Que não permita que lhe façam mal. Que seja sempre esperta. Que quando for boba, seja boba em conjunto, para dar risadas. Que quando tropeces, tenha onde se segurar. Que quando caia, tenha forças pra se reerguer. Que quando a força parecer faltar, tenha alguém para lhe estender a mão. Que tenha sempre com quem partilhar. Que ame aos outros, mas que saiba principalmente amar a si mesma, e muito. Que, quando os cabelos brancos chegarem, você deite a cabeça em paz no travesseiro. Que os cabelos brancos tardem a chegar. Que tenha filhos e netos lindos. Que eles te amem como você imagina que vai ser. Que tua família seja unida não pela obrigação que o laço de sangue de certa forma exige, mas pelo respeito e pelo amor que cultive. Que veja teus filhos crescerem saudáveis, felizes e inteligentes. Que nenhum respeito que você tenha seja imposto, mas conquistado. Que você faça muitos aniversários e que fique bem velhinha. E que quando chegar a hora de partir, que parta orgulhosa e satisfeita, numa cama quentinha, pois terá tido uma vida como a que merece: leve e feliz. Que de tempos em tempos você releia esta carta e entenda tudo de um jeito meio novo, que não esqueça das coisas que nela estão escritas. Que carregue pra sempre tudo isso que lhe desejo e que lhe desejo com tanto amor.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Eu ando por aí, pelas letras. Escrevendo espaços onde eu caiba, onde eu encaixe meus sentimentos imperfeitos e nada geométricos. Escondo minhas costas daqueles que me espetam, embora eu queira mesmo é distribuir por aí a minha senha do banco, meus segredos mais íntimos, todas aquelas amarguras de família guardadas sob as desculpas mais antigas, empoeiradas. Eu não me acomodo, não me sinto em casa. Encontro em todos os sorrisos uma peça faltante para um quebra cabeças que se desfaz na minha frente. E eu me canso. Todas essas coisas pequeninas e infinitas que a gente guarda com a gente e vai levando... Vai levando... Onde foi parar a simplicidade das coisas? Quem deixou o medo contaminar o amor e fazer mesmo dos amantes uns seres distantes?

E essas coisas pesam.
E o tempo passa.
E nada volta.

Daí você aprende a desligar uma ou outra chave dentro da sua cabeça reles, de modo a ser menos vil, menos triste, menos amargo. Mas ainda assim sempre sobra um tanino, pra que o mastigar dos acontecimentos não seja um puro prazer, pra que você se torne um puto, uma forma corrompida do adulto que sonhava ser quando era menino.

Não, não sou o senhor sorriso. Mas minha voz se abafa, eu me finjo gentil, cativo quem sucumbe ao meu charme intencional.

Fracos.

Consolo neles minhas inseguranças mais pitorescas, minha célula frágil de carência de abraços.

Vago uma noite inteira dentro da minha cabeça bagunçada. Não encontro os papéis, os milhares de notinhas feitas em pedacinhos de papel de pão.

Resta vez ou outra confiar num ombro amigo, pois nem no amor dá pra ter sossego. E olha que essa coisa de amor é o que se espera por toda uma vida, como se fosse perfeita. E vem na verdade uma proporção de 30% de prazeres, carinho, conforto e todo um resto de preocupação, jogo, conquista, insegurança, egoísmo, ingratidão...

"O amor só é bom se doer"

Queria saber que foi o filho da puta que determinou assim.

Bem como eu vou recuperar a boca limpa de palavrões que eu já tive um dia.

Enfim, muitas perguntas a fazer para o meu orixá.

E essa fúria gratuita toma sempre conta de mim, me faz imaginar crueldades, violência. Me dá vontade de partir os imbecis aos pedaços, enquanto rio satisfeito. Uma tolerância mínima, esgotada apenas por um auto conhecimento mínimo das minhas máximas imperfeições.

Fujo às letras, porque nelas encaixo minhas imperfeições pouco geométricas, nelas posso pelo menos me contar o que sinto e quem eu sou. Mas quando saio delas, volto à minha carcaça cotidiana, escondo minhas particularidades delicadas e vou fingir ser alguém como os outros, que também estão a esconder suas pedrinhas.

Um tanto de caracóis medrosos, vivendo uma vida insípida, a se arrastar.

Ô preguiça da vida!

Queria eu desligar disso tudo, ir torcer pro Atlético e tomar cerveja, passar os dias pensando só nos decotes vastos que eu tenho visto por aí. Fazer importar apenas o dinheiro, as mulheres e o futebol. Ai, tanta gente ignorante e feliz que tem por aí. Maldito eu, que nem culto e nem feliz sou.

Subscrevo por preguiça,

foda-se.
Ácido.

E por vezes indigesto também.

Eu sou um ser humano ordinário. Um pacote de carne, água, sonhos, crenças, algumas qualidades, vários defeitos e vazios. Por vezes até um idiota, mas um idiota que tenta melhorar sempre que enxerga seus erros.

Eu?

Eu exponho meu modo, me mostro. Eu gosto de opostos. Amo mais quem me olha torto do que quem me sorri sorrisos cretinos. Estou de passagem, num olhar, num flerte, te conquisto e te descarto, meu papel é curto. Não tenho tempo, ele foge de mim como os pombos das praças fogem das crianças.

Louco.

Louco e livre.
Tal qual o vento.

Irremediavelmente perdido entre os parâmetros do bom senso que regem a ditadura da rotina e da hipocrisia cotidiana.

Irremediavelmente preso à ânsia pela liberdade. Falso humano, pelo menos no quesito humano de sempre buscar ser uma divindade. Resolvi investir o tempo que seria gasto ao tentar descobrir os mistérios da origem e do fim da vida no simples fato de tentar tornar a própria vida melhor.

Um apaixonado pela vida, pelas bocas, sorrisos, olhares, situações, pelo comportamento das pessoas, pela variedade, pelas novidades, por tudo que inova, renova, relembra.

Apaixonado pelo ato de engenhar, busco melhorar tudo por caminhos diversos, ainda que às vezes tropece e acabe, besta e estupefato, rindo descontroladamente do próprio tropeço. Sou otimista até o limite entre o otimismo e a estupidez, sou sincero até o tênue limite entre a sinceridade e a falta de bons modos. Sou hipócrita, como todos, imperfeito e por vezes mesquinho, como dizia um tal poema em linha reta.

Mas e daí?

Tudo oscila entre a necessidade do sentimento de pertencimento ao grupo e do sentimento de destaque. Em outras palavras: no fundo, todo mundo é diferente e é normal.

Todo mundo gosta mesmo é do comodismo corrosivo, dos colos quentes, das coxas grossas, da carne exposta. Todo mundo gosta mesmo do que se rasga, de ver os outros arriscarem, enquanto eles mesmos apenas mordem suas pipocas crocantes e barulhentas. E o que mais estimula a todos, é achar que "todos" são apenas os outros; que eles mesmos, com seus pezinhos de ouro, estão mais limpos e cheirosos em seu pedestal.

Estou devendo cartas, várias cartas.

Leiam tudo como quiserem. Cada leitura é projeção da mente que lê, talvez mais até do que da que escreve.
"...mas as pessoas da sala de jantar, mas as pessoas da sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer..."

Se for amar, mesmo que não seja pra sempre, sinta como se fosse, porque senão não vale a pena.

Se for viver, fuja de uma vida medíocre, prefira o risco da morte ao risco de uma vida inteira morta.

E você, não importa quem seja, apenas seja quem realmente é.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Calça jeans e chinelo, sem camiseta. A janela aberta, todas as janelas abertas. O vento alisa os cabelos do peito como uma amante carinhosa de uma noite só. Todos os sorrisos são vastos e desperdiçados ao gosto de vinho tinto. Há ainda aquela preguicinha na ponta dos dedos dos pés; nenhum dos dois quis levantar, mas ela insistiu e ele foi, dar aquela volta preguiçosa pela casa quente e buscar um copo d`água gelada. E ele volta com a água cheia de gelos maliciosos, na outra mão mais uma garrafa do Rosemount Estate Australia Shiraz 2006, perfeito. O sorriso vem de lado, no olhar malicioso e sacana, as peles não se saciam, jamais se saciam. E o seu contato oscila entre o torpor dos dentes fortes e carícias leves, provocantes. Depois de todo gozo uma calmaria, o cheiro dos corpos, mais e mais sorrisos. Os dedos dele enraizam a cabeça dela e o cafuné a amolece. Há tempo, e nada mais importa. É chegada a tal hora que tanto se quis, é sabido que muito mais horas dessas virão. E tudo é tão simples e leve que parece sonho. E é mesmo o sonho bom de se ter as pernas entrelaçadas, a sintonia calada, a leveza, a despreocupação. No banho, pela manhã, ele alisará as costas dela, vai esfregar com bucha e sabão, de levinho, como um carinho especial só dos dois, uma lembrança distinta. Ela, de perfil, vai se virando pra balbuciar qualquer coisa, vontade logo substituída por um sorriso imenso de olhos fechados. As gotas do chuveiro fazem um burburinho bom no chão do box. Eles se gostam, e é sempre simples assim, e é assim que é sempre bom.

sábado, 25 de abril de 2009

Engole a seco a conclusão tão mastigada;É, é melhor não.Tão difícil pra quem tanto insiste por tudo o que te fato deseja,Dá o traço de cada plano como uma poesia de conexões impossíveis,Quase esquece o tom do concerto e enseja um certo objetivismo em seus objetos convexos de pontas imaginárias.Boceja longamente.Alguma coisa falta.Mas nem importa tanto assim também.Um suspiro forte, uma cesta cheia de sorrisos, amigos, um MofCa e uma boa talagada de razão, volta tudo ao lugar.Os traços o desconstroem por dentro e se resolvem em palavras na ponta dos seus dedos.Dorme, logo esquece.Que venham os risos gratuitos e sinceros, ainda se há de achá-los nos campos, tais quais os trevos de quatro folhas.Não é que eles dêem sorte, é que você se sente sortudo de achá-los, raros, num dia comum de acordar, respirar e dormir. Mas logo depois eles murcham, ingratos. Melhor mesmo é deixá-los por lá, pra fazer mais alguém se sentir sortudo por nem que seja um pequeno instante.
Nada novo hoje, só mais um dia de pastilha de poesia efervescente pra azia.Um oi simpático te cativa, uma troca de olhar te desvia, mas não importa, basta um passo maior e lá está você de volta, no seu caminho, como se orgulhariam teus pais.
Vida morna, hei de arrumar-te emoção.Sobre a cama o capacete e a jaqueta.A noite de sexta-feira mal começa, mas promete, e vai, render.Fecho o computador com um sorriso gozador.Esta noite ganhei de você.